"Se o cérebro humano fosse tão simples ao ponto de podermos entendê-lo, nós seríamos tão idotas que não conseguiríamos entendê-lo" J.G.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

|In Japan - Trabalho|

Vim pra cá com muitas expectativas.
Não tenho uma meta, aliás, meta é uma coisa que nunca tive na minha vida. Como sempre, me jogo de cabeça. Me dou bem com isso.
Vim pensando no trabalho escravo, mas torcendo pra que não fosse isso. ÓBEVO que foi bem exatamente como eu pensei, e não como eu gostaria que fosse que eu tinha pensado.
Chegamos, tivemos que fazer exames antes de começar a trabalhar, pois pra trabalhar com comida aqui eles tem uma série de regras a serem seguidas, e tb aqui se tem muita preocupação com o BAIKIN (bacteria). Então só depois dos resultados que pudemos começar a trabalhar.
Sempre me perguntam, " E aí? como é trabalhar no japão?"
Sem sobras de dúvidas, regime escravo.
Bom, trabalhamos nessa fábrica "Dessert Land" (Dezaato Rando pra o inglês dos japoneses, sim, o inglês deles é bem cruel) fábrica de doces exclusiva da Family Mart (rede de lojas de conveniencias [conbinis no inglês ajaponesado] tipo am/pm ).

O trabalho é bem puxado, entro no trabalho as 2 da manhã, as vezes 1 e logo logo meia noite, saindo entre 1 e 5 da tarde. E isso que nem é a época de mais trabalho.
Na primeira semana, pensei que ia morrer de tanta dor que eu sentia no corpo todo, cada dia uma parte doía mais. Pensava em desistir. Sempre. Daí agora, depois de um mês, já estou me acostumando.
Na fábrica tem vários setores: forno, onde preparam os pedidos, da onde sai os pedidos, e onde eu trabalho, as linhas de produção, o mixer, a limpeza, preparação dos doces frios. Tudo é muito rápido. Se vc para por um momento, tudo para e prejudica tudo. Vc tem que aprender a fazer de tudo, pq se um faltar, vc pode substituir.
Dentro dessa linha de produção, tem a cabeça que é pessoa que manda os doces, tem as pessoas que confeitam, com cremes e chantilly, as que colocam calda, as que colocam frutas e especiarias, as que tampam,as que colocam as etiquetas e por fim a bunda que são as que pegam o produto final da esteira e colocam no engradado que vai direto para a distribuição.
Tudo bem corrido no modo hard expert mesmo. E se vira.
Sempre brigam com a gente até fazermos certo, e eu odeio que brigue cmg!
O ruim é que eu aprendo rápido e acabo fazendo as vezes, serviço de 2, e daí abusam da gente. Aprendi a fazer tudo no meio termo. Pq tb se vc começa a fazer bonitinho, vai ter que fazer bonitinho até o fim. E quem aguenta?
Pois é.
Ah, e na minha linha tem brasileiros e peruanos! Capaz de eu sair daqui falando espanhol do que japonês!
hahahahha
Por esses dias, um cara lá tacou um saco de shibori (saco de chantillyn) em uma mulher que fala muito e ele já tava injuriado com ela, e acabou acertando na outra que tava do lado. tsc tsc tsc

Como a fábrica é de alimentos, eles tem uma rigorosidade absurda com a higiene. Usamos um uniforme branco (que tem que ser lavado todos os dias), máscara, luvas e aventais descartáveis que temos que trocar em toda troca de sobremesa. Fazemos cerca de 7 sobremesas por dias, em muitas quantidades de cada. E toda semana tem sobremesa nova. Geralmente, é quando entramos mais cedo e saímos mais tarde.
Daí tem vários rituais de higiene antes de vc entrar na linha, do tipo, medir a temperatura, passar rolinho pra tirar os cabelos, lavar as mãos com tempo cronometrado e passar álcool toda santa hora.

Bom, segue um vídeo do refeitório da fábrica.



♪|Smiths|Aks|




Nenhum comentário: